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Estudo diz que fé é característica de pessoas “com menos raciocínio lógico”

Desde o surgimento do racionalismo, o pensamento ocidental tirou a religião do centro do universo, colocando o homem em seu lugar. Com isso, a ciência passou a ser mais valorizada do que o conhecimento teológico. Até hoje, a fé tem sido vista como algo dissociado da razão e, mais especificamente, do raciocínio lógico. Essa também foi a conclusão a que chegaram alguns cientistas de Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. De acordo com um estudo recente, as pessoas com menos tendência ao raciocínio lógico são, também, mais propensas a demonstrar fé em algo sobrenatural.

De acordo com o portal da Veja, o estudo foi conduzido com 1200 voluntários, com idade média de 30 anos. Primeiramente, foi aplicado um teste, que exige raciocínio extremamente lógico para a sua resolução. Aqueles que conseguiam resolver o teste eram classificados como pessoas “reflexivas”, porque pensavam bastante antes de responder. Os que erravam, por outro lado, eram classificados como “intuitivos”, pois respondiam com pressa, sem reflexões prévias. Esse teste de raciocínio já é aplicado há vários anos nos Estados Unidos.

Na segunda parte do estudo, os mesmos participantes foram perguntados quanto à fé. Ao cruzarem os dados, os cientistas perceberam que as pessoas intuitivas afirmaram ser mais religiosas do que os reflexivos.

O resultado desse estudo mostra uma visão que não é estranha a alguns cientistas. Para eles, a fé, necessariamente, é sinônimo de falta de raciocínio. “Eles usam naturalmente a primeira ideia que vem à mente”, afirma o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, do departamento de psiquiatria da Faculdade de Psiquiatria da USP, sobre as pessoas consideradas intuitivas. É o mesmo que pensa Frederico Leão, coordenador do Programa Saúde, espiritualidade e religiosidade do Instituto de Psiquiatria da USP: “É mais simples para os menos racionais acreditar em algo impreciso.”

Mas essa visão não condiz com a verdade bíblica. Segundo o pastor e teólogo Jorge Noda, “É preciso lembrar também que o raciocínio lógico, por mais importante que seja, não é suficiente para lidar com as grandes questões da existência. Daniel Goleman, PhD em Harvard, demonstrou que a inteligência lógica é extremamente limitada quando se trata de auto-conhecimento e relacionamento interpessoal. Para Goleman, uma parte significativa de todas as nossas decisões não são tomadas a partir exclusivamente do raciocínio lógico, mas também de um conjunto de percepções emocionais e intuitivas que são fundamentais para a vida humana. Seria interessante aplicar um teste de inteligência emocional para os mesmos que se deram bem em lógica e, possivelmente, o resultado seria bem diferente”.

A fala cedida pelo pastor ganha força quando fazemos menção dos diversos cientistas que realizaram descobertas incríveis e mesmo assim professavam sua fé em Deus, como foi o caso de Louis Pasteur, Blaise Pascal, Antoine Lavoisier, Michael Faraday, Gregor Mendel e outros. O pastor Jorge ainda afirma que, em parte, é possível concordar que pessoas religiosas tendem a manter suas convicções por razões outras que não somente a razão. “Lembrando do famoso matemático e filósofo Blaise Pascal, ‘o coração tem razões que a própria razão desconhece’. Essa tendência pode levar pessoas a aceitar crenças e práticas evidentemente equivocadas, como vemos muitas vezes em movimentos religiosos. Ao mesmo tempo, muitas das mentes mais esclarecidas da história mostraram que não é necessário haver incompatibilidade entre fé e razão”, afirmou ele.

Ele ainda mencionou que o próprio Jesus ensinou seus discípulos a usar sua razão e análise crítica, juntamente com a fé. “No ensino de Cristo, devemos amar a Deus com todo nosso ser, inclusive com todo o nosso entendimento. Por isso, não é de surpreender que algumas das maiores mentes da história, como Agostinho, Tomás de Aquino e Isaac Newton demonstraram imensas habilidades filosóficas em abrir mão de sua fé”.

Concluindo seu argumento, o pastor Jorge Noda afirmou: “Não creio que está correto pular logo para a conclusão que todo tipo de fé é irracional ou infra-racional. Em alguns casos, pode ser supra-racional, isto é, superior à razão, especialmente quando um Deus infinito se comunica com seres humanos finitos, realmente finitos. Nesse caso, é perfeitamente lógico acreditar em Alguém que tem todo o conhecimento e que existe desde toda a eternidade”!

 

Por Mariana Gouveia e Samuel Oliveira

Imagem: alansee.com